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sábado, 27 de janeiro de 2018

SOUL GRAND PRIX PARA MATAR A SAUDADE !



Gostaria muito de relatar toda a trajetória dessa belíssima equipe, além, é claro, de todos os djs que participaram da Soul Grand Prix. Resta-me apenas publicar algumas fotos e traçar comentários dentro da linha que eu posso expor.

Essas fotos foram extraídas do álbum lançado pela Soul Grand Prix em 1988, pela Polygram. Quem discotecava no equipamento na época era o Maxs Peu, Rodolfo e Gordon (já falecidos) e Marlboro. Zé Black era o responsável pela montagem do equipamento. Nirto Promoções comandava a equipe, juntamente com o falecido João, vítima de acidente de carro na Avenida Brasil.

A Soul Grand Prix não resume-se somente a essas poucas linhas. O cenário da black music foi marcado pelo belo trabalho do Dom Filó no Clube Renascença. Temos, ainda, o grande trabalho do Samuel DJ (Samuca), do Marcinho DJ, do Fabinho e muitos outros.

UM POUCO SOBRE A EQUIPE CASH BOX, O SOM ACIMA DO NORMAL !


Marcão Cash Box, principal dj da equipe Cash começou com 13 anos, apreciando os grandes sucessos do rádio brasileiro e, sempre quando podia, gravava os grandes sucessos que rolavam nas emissoras, acumulando cerca de 20 fitas-cassetes com um repertório variado, sem repetição. Essas gravações, segundo Marcão, eram feitas a noite, até porque, era o momento que os locutores não falavam muito durante a programação, possibilitando, dessa forma, uma gravação quase que completa.


Com o ápice dos bailes HI-FI, marcantes na década de 70, Marcão começou a frequentar várias festas deste tipo. O seu acervo musical começava, então, a lhe render os primeiros convites para fazer festinhas. Começou a ser chamado para animar os eventos do bairro, principalmente aniversários e casamentos. As exigências em termos de "mixar" eram nulas, praticamente. A clientela só queria escutar os sucessos que o Marcão já colecionava nas suas lendárias fitas-cassetes.

Marcão nasceu no bairro do Méier, vivendo por muitos anos na Rua Rio Grande do Sul, mudando-se mais tarde para a Rua Capitão Rezende, no mesmo bairro. Sempre estudioso, fez concurso para o Colégio Dom Pedro II e para o Visconde do Cairu, sendo aprovado para os dois, optando em cursar os seus estudos no primeiro. Infelizmente a sua trajetória nos estudos foi interrompida, cancelando a faculdade, devido aos bailes da Cash Box. Marcão tinha optado em estudar no turno da manhã e, em virtude dos excessos da madrugada nos eventos, ficava impraticável qualquer rendimento no âmbito escolar. Marcão não se arrepende do que fez e afirma, com toda convicção, que a Cash Box foi a melhor parte da sua vida.


Seu pai e o seu tio (foto) eram técnicos em eletrônica e foram os primeiros a terem um som estéreo. Chegaram a montar inúmeros amplificadores através de kits importados, vendidos nas casas especializadas. A qualidade sonora desses amplificadores sempre foi admirada pelo Marcão. A partir daí, a Cash Box começava a dar os primeiros passos para o sucesso. O equipamento ainda não tinha nome.



O nome da equipe é oriundo da Revista Cash Box (foto), uma publicação americana que relacionava os grandes sucessos da época, uma espécie de top hits, assim como a Revista Billboard. As rádios brasileiras, principalmente a extinta Rádio Mundial, usava os dados dessa revista para divulgar a seleção musical das suas programações e era, na verdade, o parâmetro que o Marcão utilizava para alcançar os balanços que seriam detonados nos seus bailes.


Marcão frequentou a Boite Espaço, no Shopping Center do Méier e o Clube Várzea Country Clube, uma sede campestre em Piedade. Antes de ser um renomado Dj, Marcão teve uma trajetória de assíduo frequentador e, acredite se quiser, de dançarino, também.

O primeiro baile da Cash Box, utilizando-se o nome pela primeira vez, ocorreu na Associação Atlética Getúlio, no Méier, na Rua Cirne Maia, no dia 19 de janeiro de 1974. O artista da época era James Brown e o soul music era o gênero que contagiava a massa black, naquela ocasião. Esse baile pegou o Marcão de surpresa. Seu repertório para os adeptos do soul music ainda estava engatinhando e no baile só rolava as músicas de James Brown. Marcão admite que esse primeiro baile foi um verdadeiro "desastre", vendendo cerca de 97 convites.

Os bailes começaram a surgir e boa parte da renda era investida em equipamentos. As primeiras caixas de som da Cash Box foram feitas pelo seu tio, com base nos projetos desenvolvidos pela empresa Novik. Os alto-falantes eram da própria Novik, com todas as medidas padronizadas.

O segundo clube que a Cash atuou foi no Vitória Tênis Clube, na Rua Porto Alegre, no Engenho Novo, Rio de Janeiro e, como não poderia ser diferente, o estilo musical era o soul music. Nesse clube já havia um equipamento de som de nome Atabaque, que fazia a sonorização aos sábados e o dj era o Marcio. A Cash Box entrou no clube fazendo a domingueira. Segundo o Marcão, essa entrada no Vitória foi motivo até de constrangimento. Muitos questionaram a Cash Box, alegando que a mesma era uma equipe desconhecida e que não merecia credibilidade. Os bailes da Cash Box deram resultados, atraindo a atenção da massa black e, com isso, segundo, ainda, o Marcão relata, a equipe da casa encerrou as suas atividades, permanecendo a Cash Box à frente dos eventos.


E o investimento não parava a nível de sonorização. Os bailes no clube Vitória, diante da qualidade sonora, rendeu a criação da logo marca O SOM ACIMA DO NORMAL, idéia do próprio Marcão. O próprio coelho, marca registrada da Cash Box, também foi idealizado pelo mano Marcão. No começo era utilizado o coelhindo da Play Boy, mudando as características do "rabit" ao longo dos anos.


O terceiro clube que a Cash Box atuou foi o Maria da Graça, no bairro do mesmo nome, no Rio de Janeiro, passagem marcante na história do equipamento, sonorizando os eventos por aproximadamente 5 ou 6 anos, realizando bailes inesquecíveis. O sucesso foi tão expressivo que a Cash Box foi convidada a tocar no Magnatas Futebol de Salão, no Rocha. Depois de alguns desentendimentos com a diretoria do Magnatas, a Cash Box foi tocar no Sport Club Ganier, também no mesmo bairro, além de tocar, também, na Associação Atlética do Jacaré.


Independente das adversidades com a diretoria do Magnatas, segundo Marcão, a Cash Box retornou para o seu QG (Magnatas), marcando ampla trajetória na estrada da Cash Box. Com um público de aproximadamente 3 mil pessoas, esses bailes eternizaram o conceito de um dos maiores equipamentos de som do Rio de Janeiro. Infelizmente, essa trajetória foi abalada pela morte do seu irmão Bozó, vítima da violência urbana, na porta do próprio clube. Marcão entrou em profunda crise depressiva e nunca mais foi o mesmo, a ponto de não despertar mais interesse na condução dos trabalhos frente a Cash Box. Atualmente é taxista e, de forma eventual, participa de eventos no segmento do funk da antiga.


Detentora de inúmeros discos e cds lançados, a equipe Cash Box foi contemplada com discos de ouro. Vários djs, à partir da década de 90, assumiram os pratos da equipe mais cobiçada do Brasil, dentre eles, Funk Boy, Rafael Mingau, saudoso Salada, Marinho, K-Boy, enfim,uma gama de profissionais que tiveram o cuidado de dar continuidade ao trabalho do Marcão.

O equipamento da Cash Box foi dissolvido, segundo Marcão. Há algumas caixas e periféricos, ainda, em algum ponto do Rio que são utilizadas por amigos. No momento, Manel da Equipe X-Treme, devidamente documentado, é um dos atuais administradores da Cash Box.

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